Era uma vez…
Ontem você me pediu que eu contasse uma história. Para dormir, você disse. E eu, cansada, te contei uma versão sem graça que só tinha começo e fim. Era uma vez e felizes para sempre. Você riu e eu acho que também se conformou, porque logo fechou os olhos e dormiu. E, entregue ao sono, não me ouviu dizer:
Era uma vez um homem e uma mulher que se apaixonaram.
Porque é isso que acontece em histórias assim. Os dois tropeçam um no outro pelo caminho e descobrem que seus corações batem no mesmo compasso e que a vida sem o outro não é nada mais que uma memória distante, uma canção esquecida.
E esquecem. Esquecem, da mesma forma, como era com eles também um minuto atrás. E ele já não a espera mais para dormir, limitando-se a sonhar com ela todas as noites. E ela passa o dia escrevendo, aparentemente alheia ao que está acontecendo. Mas é que mesmo quando ela escreve para outros, ela pensa nele. Ela escreve como se fosse pra ele e se surpreende como as palavras saem cristalinas e sem dificuldade.
Ele partiu seu coração uma vez, é verdade, mas ela também partiu o seu. E continuaram juntos, ainda assim. Corações remendados, mas cheios de amor. Como vaso que quebra e precisa de emendas para se regenerar, emendas que o deixam mais forte naquele lugar que antes estava fragilizado. Até o dia que não será mais preciso derramar argila, porque todos os pontos foram destruídos por um e reparados pelos dois, juntamente. Pra sempre. Você acredita nisso também?
Filed under: Desabafo literário | 10 Comments
Tags: amor, conto


















Muito bom texto, muito bem escrito.
ta lindo! e estou meio alheia aos fatos… pra mim, esse texto parece duas coisas. vc está apaixonada, ou vc quer muito estar. e não falo isso só pelo texto falar de amor. é pela concatenação das palavras… não sei, estive assim em janeiro, até escrevi alguns posts parecidos com esse seu. era vontade de amar, pode ser q vc tenha essa mesma vontade.
pra mim deu certo.
Falar de amor é sempre tão vago…
Bonito, emocionante até, dá para sentir que tem um sentimento forte ai dentro querendo sair, me sinto assim também nesses últimos dias. Serão as chuvas de Julho?
Eu faço da Cá as minhas letrinhas: aí tem coisa! XD
Mas lindo o texto… realmente o amor é assim. Amor só não: um relacionamento com os seus altos e baixos… onde um pode, sem querer, causar uma rachadura, deixando o caco ali do lado, mas só os dois juntos poderão deixar o vaso como era antes…. se quebrar demais, não há mais como juntar (será?)
Um grande abraço,
.faso
Adorei seu blog!
ta mto bonito e vc escreve mto bem!
parabéns!
emocionante. eu nunca tive ninguém pra remendar junto comigo os pedacinhos do meu coração. mas deve ser uma coisa linda.
e como Carol disse, e disseram depois, aí tem coisa…
=**
(ah, t6o super curtindo o wordpress!)
Eu entendo que existe uma parte da construção que continuamente corre o risco de se danificar, e da qual dependem dos dois disposição, empenho e capacidade para restaurar, e que um serviço de restauração bem feito pode tornar o compartimento de sentimentos ainda mais forte e sólido. Mas existe um certo núcleo que não pode ser consertado, um certo sagrado que não pode ser reconstruído, e com o qual precisamos tomar o máximo cuidado para que não se perca para sempre.
Existem certas coisas que, pela sua própria natureza e gravidade, não são passíveis de reparo. Por isso todo cuidado, quando se tratando de sentimentos, pode ser determinante para que o que exista seja sólido o suficiente a ponto de poder suportar estes outros arranhões periféricos.
Abraços!
Ei!!! Nunca mais nos falamos.. sinto sua falta!
Foi muito bom vir aqui e ver seus desenhos LINDOS!!!!!! Me deu muita alegria!!!!
Arrraa!!