Bondade em alta
No final do ano de 2003 mamãe viajou à Florida em excursão com um grupo de amigas e, por descuido, perdeu a bolsa de mão com todos os seus documentos. Do dinheiro ela não ficou privada porque este estava em seu porta dólar colado ao corpo, mas, ainda assim, a viagem pra ela acabou ali. O real apego aos documentos emitidos em sua terra natal (São Luís/MA) a fez passar os dias que restavam tentando resgatá-los junto às autoridades locais. Sem sucesso.
Já no Brasil, insistia em ligar, quase que diariamente, em busca de notícias, até o dia em que uma caixa chegou de Titusville…
Um caminhoneiro, em seu trajeto de volta para casa, viu ao longe uma bolsa jogada na estrada e resolveu parar. Recolheu e se dirigiu às autoridades para devolver. Sua esposa, Betty, no entanto, requisitou o nosso endereço e se comprometeu a fazer ela mesma o envio.
A bolsa chegou, coberta de papel, bem embrulhadinha, contendo alguns pertences dentro, tais como canetas, batom e notas de venda. Infelizmente, os documentos não estavam mais lá, bem como algumas lembrancinhas. Isso não diminuiu, porém, a nossa surpresa e alegria. Eu teria feito o mesmo? Teria me dedicado tanto a ajudar outras pessoas cuja identidade desconheço? A única maneira que encontramos para retribuir tanta generosidade foi oferecer à Betty a nossa amizade. Mamãe não sabe falar inglês, então eu passei a me corresponder com Betty e sua família, contando coisas do meu dia-a-dia infantil, escrevendo em resposta aos seus questionamentos sobre o Brasil e trocando confidências.
Betty sabe da minha paixão pelos Beatles e me manda presentes. Diz que fazemos parte de sua família e que me quer muito bem. Torce para que seu filho se case com uma brasileira, mas tem que ser de formação religiosa, ela diz. Às vezes ela passa muito tempo sem escrever, pois sua região tem furacões e o correio se mostra mais demorado que o normal quando eles acontecem, mas sei que ela está bem e me guarda com carinho.
Escrevo apenas para não esquecer. “A bondade é uma linguagem que o surdo consegue ouvir e o cego consegue ler.” (Mark Twain)
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Tags: cartas, correspondência



















International friendship! How lovely is that, huh? ^^
gestos assim sustetam minha crença nas pessoas.
é tão simples e tão exageradamente grandioso que não dá pra explicar.
escreva mesmo, histórias assim precisam ser passadas pra frente.
e não perca o contato, é uma forma de carinho pura e uma história bonita de contar e mais ainda de desfrutar.
ps. acho que a betty viu “A Corrente do Bem”
Realmente raríssima nos tempos hodiernos (detesto essa palavra!).
E foi ótima sua iniciativa de permanecer em contato com eles!!
Friendship: Coisa de quem fez cultura inglesa!!
Bjkss